Recebido em: 04/07/2023
Aprovado em: 07/10/2023
Ageismo no mercado de trabalho: uma revisão sistemática
Ageism in the labor market: a systematic
review
Edadismo en el mercado laboral: una
revisión sistemática
Idio Fridolino Altmann
Universidade La Salle (UNILASALLE)
Lattes: http://lattes.cnpq.br/6242995534993521
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5420-6894
Louise de Quadros da Silva
Universidade La Salle (UNILASALLE)
Lattes: http://lattes.cnpq.br/0489777195730458
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8632-3374
Charlene Bitencourt Soster Luz
Universidade La Salle (UNILASALLE)
Lattes: http://lattes.cnpq.br/9095743532967373
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7164-0425
Ingridi Vargas Bortolaso
Universidade La Salle (UNILASALLE)
Lattes: http://lattes.cnpq.br/1382249115341464
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4881-1091
Paulo Fossatti
Universidade La Salle (UNILASALLE)
Lattes: http://lattes.cnpq.br/5549397267187698
ORCID: http://orcid.org/0000-0002-9767-5674
RESUMO
Este estudo objetiva realizar, de forma crítica, uma revisão sistemática
sobre o tema ageismo, entendido como o preconceito de idade no ambiente
de trabalho. Para tal, realizamos uma revisão sistemática de literatura, a
partir das bases de dados EBSCOhost e Scopus, considerando publicações
acadêmicas do período de 2018 a 2022, com análise sob a perspectiva
hermenêutica. Os principais achados, apontam para: a) Exclusão no mercado
de trabalho: enraizado na cultura e identificado em atitudes
discriminatórias que impedem contratações devido aos estereótipos e
preconceitos; b) Auto-ageismo: a intensidade do preconceito faz com que as
próprias pessoas se sintam desfavoráveis em algumas situações por conta da
idade, chegando a se considerar incapazes ou não merecedores de boas
oportunidades; c) Necessidade de mudança nas organizações: com a redução
da natalidade e envelhecimento populacional, torna-se urgente programas
de diversidade etária nas empresas, que contribuam para a valorização das
soft skills em geral mais aguçadas em profissionais mais experientes.
Conclui-se pela necessidade de reforços para maior incentivo da contratação
e da manutenção de profissionais mais experientes, inclusive no
empreendedorismo. A valorização dos talentos humanos, sem discriminação,
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Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região
ALTMANN, Idio F.; SILVA, Louise de Q. da; LUZ, Charlene B. S.; BORTOLASO, Ingridi V.; FOSSATTI, Paulo. Ageismo no
mercado de trabalho: uma revisão sistemática. Revista Jurídica Trabalho e Desenvolvimento Humano, Campinas,
v.6, p. 1-34, 2023. DOI: https://doi.org/10.33239/rjtdh.v6.165.
precisa ser estabelecida nas culturas institucionais a começar pela
sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: ageismo; discriminação por idade; etarismo;
organizações; trabalho.
ABSTRACT
This study aims to critically conduct a systematic review on the topic of
ageism, understood as ageism in the workplace. To this end, we conducted
a systematic literature review, from the EBSCOhost and Scopus databases,
considering academic publications from the period 2018 to 2022, with
analysis from a hermeneutic perspective. The main findings, point to: a)
Exclusion in the labor market: rooted in culture and identified in
discriminatory attitudes that prevent hiring due to stereotypes and
prejudices; b) Self-ageism: the intensity of prejudice makes people
themselves feel unfavorable in some situations because of their age, coming
to consider themselves incapable or not deserving of good opportunities; c)
Need for change in organizations: with the birth rate reduction and
population aging, it becomes urgent age diversity programs in companies,
which contribute to the valorization of sharper soft skills in general in more
experienced professionals. We conclude that there is a need for
reinforcements to further encourage the hiring and retention of more
experienced professionals, including in entrepreneurship. The value of
human talents, without discrimination, needs to be established in the
institutional cultures, starting with society.
KEYWORDS: age discrimination; ageism; etarism; organizations; work.
RESUMEN
El presente estudio tiene como objetivo realizar, de manera crítica, una
revisión sistemática sobre el tema del edadismo, entendido como edadismo
en el ámbito laboral. Para ello, realizamos una revisión bibliográfica
sistemática, a partir de las bases de datos EBSCOhost y Scopus, considerando
publicaciones académicas del periodo 2018 a 2022, con análisis desde una
perspectiva hermenéutica. Los principales hallazgos, apuntan a: a) Exclusión
en el mercado laboral: arraigada en la cultura e identificada en actitudes
discriminatorias que impiden la contratación por estereotipos y prejuicios;
b) Autoedadismo: la intensidad del prejuicio hace que las propias personas
se sientan desfavorecidas en algunas situaciones por la edad, llegando a
considerarse incapaces o no merecedoras de buenas oportunidades; c)
Necesidad de cambio en las organizaciones: con la reducción de la natalidad
y el envejecimiento de la población, se hacen urgentes los programas de
diversidad de edad en las empresas, que contribuyen a potenciar las
habilidades blandas que, por lo general, son más agudas en los profesionales
con más experiencia. Se concluye que es necesario un refuerzo para
incentivar más la contratación y la retención de profesionales con más
experiencia, incluso en el espíritu empresarial. La valorización de los
talentos humanos, sin discriminación, debe establecerse en las culturas
institucionales, empezando por la sociedad.
PALABRAS CLAVE: discriminación por edad; edadismo; etarismo;
organizaciones; trabajo.
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INTRODUÇÃO
O mercado de trabalho necessita de pessoas com diferentes talentos para
suprir as variadas demandas existentes em uma sociedade em constantes mudanças1.
Adicionalmente, Watermann, Fasbender e Klehe informam que os trabalhadores mais
velhos são uma fonte valiosa de conhecimento e competência no local de trabalho2.
Partindo desse pressuposto, quanto mais heterogêneas forem as equipes, incluindo
diferentes gêneros, idades, credos, conhecimentos e entre outras características,
mais diferenciadas serão as percepções, o que pode implicar em maior criatividade
resultando em ações inovadoras. Entretanto, nos últimos anos, percebe-se, em
relação à idade dos profissionais, preconceito que vêm tomando força, o chamado
ageismo3, também conhecido como idadismo ou etarismo.
O objetivo deste estudo consiste em realizar, de forma crítica, uma revisão
sistemática sobre o tema ageismo, entendido como o preconceito de idade
(discriminação por idade) no ambiente de trabalho. Optamos pela revisão a fim de
posicionar uma ampliação do conhecimento sobre as pesquisas que têm sido
realizadas no campo científico e acadêmico sobre o assunto, já que não encontramos
uma publicação com essa compilação. Para tanto, fizemos uma revisão sistemática
de literatura, com a abordagem qualitativa, realizada nas bases de dados EBSCOhost
e Scopus, considerando artigos publicados entre os últimos cinco anos, sendo de 2018
a 2022, nos idiomas português, espanhol e inglês. Além dos autores terciários,
1 ANDRADE, T. A.; TEIXEIRA, I. J. C. Discriminação e intolerância religiosa frente ao ambiente de
trabalho. Revista Reflexão e Crítica do Direito, [s. l.], v. 8, n. 1, p. 61-78, 2020. Disponível em:
https://revistas.unaerp.br/rcd/article/view/1506. Acesso em: 15 fev. 2023.
2 WATERMANN, H.; FASBENDER, U.; KLEHE, U. Withdrawing from job search: The effect of age
discrimination on occupational future time perspective, career exploration, and retirement
intentions. Acta Psychologica, [s. l.], v. 234, 2023. Disponível em:
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0001691823000513. Acesso em: 7 dez. 2023.
3 BUTLER, R. N. Dispelling Ageism: the cross-cutting intervention. The Annals of the American
Academy of Political and Social Science, Michigan, v. 503, 1989. p. 138-147. Disponível em:
http://www.jstor.org/stable/1047223. Acesso em: 17 fev. 2023.
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consultamos materiais clássicos, bem como dados do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística4.
Este artigo está estruturado em seções e subseções, estas estão arquitetadas
conforme segue. Primeiro a seção de introdução apresenta a contextualização inicial
da temática pesquisada. A seguir, a seção do referencial teórico, tem por finalidade
revelar, por meio da fundamentação teórica, o posicionamento dos autores
pesquisados, seus principais conceitos e o conhecimento atual acerca da temática.
A seção do referencial teórico apresenta dois subtópicos: Conceito e origem do
ageismo e Tendências no enfrentamento do ageismo. Na sequência, tem-se a seção
da metodologia, que apresenta o método utilizado na pesquisa, responsável por
direcionar os pesquisadores na condução da pesquisa para o atingimento do objetivo
definido. Por fim, apresentam-se as seções resultado e discussões e, considerações
finais com posicionamento dos pesquisadores para novos conhecimentos.
REFERENCIAL TEÓRICO A - Conceito e origem do ageismo
Esta seção apresenta a fundamentação teórica acerca da temática proposta
para esta pesquisa, com objetivo de posicionar os pesquisadores em relação ao
conhecimento atual de investigações que têm sido realizadas no campo científico e
acadêmico. Dessa forma, consideramos importante iniciar esta seção apresentando
a cronologia do conceito da expressão ageismo, por meio dos principais autores que
estudam o tema.
Na contemporaneidade, a humanidade vive em um mundo de discriminação e
com uma enorme diversidade de preconceitos, seja este de ordem racial, sexual e
de gênero, social, cultural, étnica, religiosa, como também política. As diferentes
4 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Coordenação de Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua. Características gerais dos moradores 2020-2021. Rio de Janeiro:
IBGE, 2022. Disponível em:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101957_informativo.pdf. Acesso em: 5 dez.
2023.
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formas de preconceito existem há décadas5. Além de tratar-se de um posicionamento
negativo do indivíduo em relação a outro, Candau afirma que, preconceito é “[...]
fundamentalmente uma atitude, a discriminação refere-se a comportamentos e
práticas sociais concretas”6. Na expressão discriminação ou preconceito, estes
vertem para o mesmo tratamento desfavorável de um indivíduo em relação ao outro,
podendo chegar à violência e ao assédio moral, conforme relatam7.
Dentro desta ampla temática de preconceito e discriminação, temos como
área específica do nosso estudo o ageismo ou, de seus sinônimos etarismo e idadismo.
Todos compreendidos como o preconceito de idade, no sentido em que os indivíduos
se posicionam e agem de forma contrária a outros de uma determinada faixa etária,
normalmente dos trabalhadores mais velhos, acima de 45 anos. No entanto, poucas
pesquisas brasileiras sobre este tema são realizadas, o que justifica a importância do
nosso estudo, bem como a divulgação dos resultados no ambiente organizacional,
como uma forma de romper este tipo de preconceito e proporcionar oportunidades
igualitárias aos profissionais sem distinção de faixa etária.
O termo ageismo, originalmente do inglês ageism, é a junção das palavras
age+ism. Onde a palavra age, traduzindo para o português, quer dizer idade e ism
sendo ismo. Semelhantemente, ao unirmos as palavras idade e ismo, temos a
expressão idadismo, e o termo etarismo, também sinônimo, refere-se à junção de
etário e ismo. Historicamente, o gerontologista Butler explica que foi por volta do
ano de 1968 que a expressão ageismo surgiu, momento em que ocupava o cargo de
presidente do Comitê Consultivo sobre Envelhecimento do Distrito de Columbia. O
mesmo autor revela que, ao participar do projeto de aquisição de moradias públicas
direcionadas para pessoas idosas, observou um grande negativismo por parte dos
5 ANDRADE, T. A.; TEIXEIRA, I. J. C. Discriminação e intolerância religiosa frente ao ambiente de
trabalho. Revista Reflexão e Crítica do Direito, [s. l.], v. 8, n. 1, p. 61-78, 2020. Disponível em:
https://revistas.unaerp.br/rcd/article/view/1506. Acesso em: 15 fev. 2023.
6 CANDAU, V. M. (coord.). Somos todos iguais?: escola, discriminação e educação em direitos
humanos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. p. 18.
7 UCHÔA DE OLIVEIRA, F.; NANDY, S.; FRAGA FERNANDEZ, G.; ELISA SPAOLONZI QUEIROZ ASSIS, A.;
VEDOVATO, L. R. V. Trabalho decente para uma vida digna: um estudo piloto a partir da abordagem
consensual na cidade de Campinas. Revista Jurídica Trabalho e Desenvolvimento Humano, v. 5, 31
2022. Disponível em: https://www.revistatdh.org/index.php/Revista-TDH/article/view/120. Acesso
em: 15 dez. 2023.
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vizinhos, pois além da grande maioria dos novos moradores do bairro serem pobres
e negros, estes também eram idosos, gerando assim uma forte discriminação
denominada de ageismo8. Logo, a expressão foi posteriormente publicada no artigo
intitulado de Dispelling Ageism: The Cross-Culting Intervention, nos anais da
Academia Americana de Ciências Políticas e Sociais no ano de 1989.
Consequentemente, a expressão ageismo ou etarismo está presente desde 1969, que
conceitua como uma aversão quanto ao envelhecimento, reforçada por atitudes
culturais como sarcasmos sobre alguma vulnerabilidade, discriminação etária em
oportunidades de trabalho e até mesmo da competência individual das pessoas com
mais de 65 anos9.
Após os estudos de Robert Neil Butler, surge Bill Bytheway, que segue na
mesma linha de pesquisas em torno do ageismo. Com a publicação do livro Ageism,
o autor afirma que o preconceito de idade visa
[...] o uso da idade cronológica para marcar classes de pessoas às quais são
sistematicamente negados recursos e oportunidades que outros desfrutam,
e que sofrem as consequências de tal difamação, variando de patrocínio
bem-intencionado a difamação inequívoca10 (tradução nossa).
Notamos que ainda na contemporaneidade, pessoas são excluídas de
oportunidades devido ao preconceito de idade, seja no convívio em sociedade ou no
trabalho. Nesse sentido, Melo e Amorim afirmam que são “[...] às leis; regras, normas
e estruturas sociais; e políticas e práticas das instituições que restringem
8 BUTLER, R. N. Dispelling Ageism: the cross-cutting intervention. The Annals of the American
Academy of Political and Social Science, Michigan, v. 503, 1989. p. 138-147. Disponível em:
http://www.jstor.org/stable/1047223. Acesso em: 17 fev. 2023.
9 BUTLER, R. N. Age-ism: Another form of bigotry. The gerontologist, Washington, DC, v. 9, n. 4, p.
243-246, 1969. Disponível em: https://www.romolocapuano.com/wp-
content/uploads/2017/03/Butler_Age-ism.pdf. Acesso em: 15 fev. 2023.
10 Tradução do original: “[…] the use of chronological age to mark classes of people who are
systematically denied resources and opportunities that others enjoy, and who suffer the
consequences of such defamation, ranging from well-intentioned patronage to outright
defamation.”. cf.: BYTHEWAY, B. Ageism. Buckingham: Open University, 1995. p. 14.
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oportunidades de pessoas por causa da idade”11. Já em 1999, o gerontologista
americano Erdman Ballagh Palmore por meio de suas pesquisas, define que, ageismo
é
[...] preconceito de idade como qualquer preconceito ou discriminação
contra ou a favor de uma faixa etária. "Preconceito contra uma faixa etária"
é um estereótipo negativo sobre esse grupo (como a crença de que a maioria
dos idosos é senil) ou uma atitude negativa baseada em um estereótipo
(como a sensação de que a velhice costuma ser a pior fase da vida).
"Discriminação contra uma faixa etária" é o tratamento negativo
inapropriado de membros dessa faixa etária (como aposentadoria
compulsória)12 (tradução nossa).
Avançando na compreensão do termo em pauta, para Butler o ageismo é a
discriminação aos indivíduos idosos13. No entanto, na percepção de Palmore temos
um conceito mais amplo, o qual destaca o preconceito a uma faixa etária, seja esta
de jovens ou idosos14. Desse modo, compreendemos que o ageismo não é um
preconceito somente aos trabalhadores mais velhos, mas que também atinge outras
faixas etárias. Inclusive os jovens passam por exclusões de oportunidades de
trabalho, normalmente por não terem histórico de experiência profissional. Ao
contrário dos considerados profissionais maduros (trabalhadores mais velhos), o que
gera uma discriminação que “[...] pode assumir a forma de recusa em contratar ou
promover trabalhadores mais velhos, ou forçar a aposentadoria em uma idade fixa,
11 MELO, R. H. V. de; AMORIM, K. P. C. O idadismo no contexto do trabalho da Estratégia Saúde da
Família: projeção de saberes ao tetragrama dialógico de Morin. Interface - Comunicação, Saúde,
Educação, Botucatu, v. 26, p. 117, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/interface.220209.
Acesso em: 5 dez. 2023. p. 18.
12 Tradução do original: “[...] ageism as any prejudice or discrimination against or in favor of an age
group. "Age prejudice" is a negative stereotype about that group (such as the belief that most elderly
people are senile) or a negative attitude based on a stereotype (such as the feeling that old age is
often the worst phase of life). "Age group discrimination" is the inappropriate negative treatment of
members of that age group (such as mandatory retirement).”. cf.: PALMORE, E. B. Ageism: negative
and positive. 2. ed. New York: Springer Publishing Company, 1999. p. 4.
13 BUTLER, R. N. Dispelling Ageism: the cross-cutting intervention. The Annals of the American
Academy of Political and Social Science, Michigan, v. 503, 1989. p. 138-147. Disponível em:
http://www.jstor.org/stable/1047223. Acesso em: 17 fev. 2023.
14 PALMORE, E. B. Ageism: negative and positive. 2. ed. New York: Springer Publishing Company,
1999.
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v.6, p. 1-34, 2023. DOI: https://doi.org/10.33239/rjtdh.v6.165.
independentemente da capacidade do trabalhador de continuar trabalhando”15
(tradução nossa).
Seguindo na linha do ageismo no ambiente corporativo, no olhar europeu,
Stypinska e Turek evidenciam uma forte discriminação no mercado de trabalho em
relação à idade do trabalhador16. Os autores relatam em sua pesquisa, que
trabalhadores de mais idade são colocados em uma posição de desvantagem perante
os demais, gerando uma forte discriminação no ambiente corporativo em relação a
estes indivíduos. Da mesma forma acontece no Brasil, pois, conforme o autor
Cepellos a população vem envelhecendo, e da mesma forma a força produtiva
também envelhece, se tornando importante que as empresas se desenvolvam para
vencer este cenário discriminatório do ageismo, com políticas de incentivo ao
trabalhador mais velho17.
Sintetizando os conceitos citados dos autores discutidos nessa seção,
apresentamos a figura 1 com a cronologia do conceito de ageismo. Iniciado pelo ano
de 1969 de uma simples discriminação das pessoas em relação à idade no convívio
em sociedade, até chegar ao conceito mais atual de 2017, o qual indica que o
ageismo está baseado em faixas etárias mais velhas no ambiente corporativo, e os
jovens no que se refere à falta de experiência.
15 Tradução do original: “[...] may take the form of refusing to hire or promote older workers, or
forcing retirement at a fixed age, regardless of the worker's ability to continue working.”. cf.:
PALMORE, E. B. Ageism: negative and positive. 2. ed. New York: Springer Publishing Company, 1999.
p. 119.
16 STYPINSKA, J.; TUREK, K. Hard and soft age discrimination: the dual nature of workplace
discrimination. European Journal of Ageing, Berlin, v. 14, n. 1, p. 49-61, 2017. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5550623. Acesso em: 7 dez. 2023.
17 CEPELLOS, V. M. et al. Envelhecimento nas organizações: preconceito ou tendência? GVexecutivo,
São Paulo, v. 12, n. 2, p. 124-127, 2013. Disponível em:
https://www.academia.edu/7586127/Envelhecimento_nas_Organiza%C3%A7%C3%B5es_Preconceito_
ou_Tend%C3%AAncia. Acesso em: 17 fev. 2023.
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v.6, p. 1-34, 2023. DOI: https://doi.org/10.33239/rjtdh.v6.165.
Figura 1 - Autores e seus conceitos cronológicos de ageismo
Fonte: Elaborado pelos autores, a partir de Butler (1969)18, Bytheway (1995)19, Palmore (1999)20,
Stypinska e Turek (2017)21.
A partir da fundamentação dos autores Butler22, Bytheway23, Palmore24,
Stypinska e Turek25, verificamos a cronologia histórica do conceito que envolve o
ageismo, no ambiente social e de trabalho. Compreendemos por meio da cronologia
dos fatos que, o ageismo surgiu a partir das pesquisas de Butler no ano de 1968,
direcionado exclusivamente às pessoas idosas no ambiente social. Posteriormente,
em 1995, Bytheway amplia o conceito deste preconceito para demais faixas etárias,
passando a contemplar todo preconceito que considere uma faixa de idade
18 BUTLER, R. N. Age-ism: Another form of bigotry. The gerontologist, Washington, DC, v. 9, n. 4, p.
243-246, 1969. Disponível em: https://www.romolocapuano.com/wp-
content/uploads/2017/03/Butler_Age-ism.pdf. Acesso em: 15 fev. 2023.
19 BYTHEWAY, B. Ageism. Buckingham: Open University, 1995.
20 PALMORE, E. B. Ageism: negative and positive. 2. ed. New York: Springer Publishing Company, 1999.
21 STYPINSKA, J.; TUREK, K. Hard and soft age discrimination: the dual nature of workplace
discrimination. European Journal of Ageing, Berlin, v. 14, n. 1, p. 49-61, 2017. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5550623. Acesso em: 7 dez. 2023.
22 BUTLER, R. N. Age-ism: Another form of bigotry. The gerontologist, Washingt